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segunda-feira, 14 de julho de 2014

Sobre coisas.



Eu odeio sair de casa com o cabelo preso. Mas odeio infinitamente mais quando alguém mexe no meu cabelo quando ele está preso.
Eu odeio pessoas que andam pela casa enquanto escovam os dentes. Eu odeio vários nomes; odeio muitos nomes começados com a letra D.
Eu odeio ficar sem esmalte. Eu odeio odiar tantas coisas. Eu odeio, ao mesmo tempo, odiar e amar certas coisas.
Eu não posso, sabe. Não consigo. Mas ninguém vê. Ninguém entende. Ninguém liga.
"Não pode o que? Não consegue o que?"
Não consigo. Só isso.
Preciso parar de precisar e aprender a querer puramente por querer, por prazer, porque é bom.
Preciso parar de não fazer sentido.
Preciso fazer menos sentido ainda.

(...)

Eu amo sentir o sol na pele em meio aquele frio horrível das sete e cinquenta e seis da manhã. Mas eu amo infinitamente mais quando não há aquele frio horrível as sete e cinquenta e seis da manhã.
Eu amo cantar músicas da Taylor Swift e do Fall Out Boy loucamente quando estou muito feliz ou muito mal.
Eu amo quando me pego rindo de algo que simplesmente me deixou alegre.
Eu amo quando consigo vomitar as palavras que se engasgaram na garganta a alguns dias.
Eu amo quando eu deixo certas coisas para trás e simplesmente não preciso vomitar palavra nenhuma.

(...)

Eu odeio não ter as palavras certas para usar. Odeio infinitamente mais quando as palavras certas são simplesmente duras demais, e eu não tenho coragem para usá-las.
Eu odeio quando me colocam no paraíso por cinco minutos e depois me puxam pra baixo. Porque isso é apenas muito injusto.
Eu odeio estar com sono as nove e dezesseis da noite. Eu odeio ter que acordar as seis e vinte e dois da manhã.

(...)

Eu só quero que três semanas passem rápido; quero que seis meses passem mais rápido ainda.
Quero coisas que sei que não terei. Quero um texto sem tanto drama. Quero um texto sem ele. Quero um dia sem me torturar com as mesmas músicas e lembranças que tanto gosto e odeio.
Eu estou com sono. Eu quero cantar uma música loucamente antes de ir dormir. Eu quero gritar. Eu quero encontrar as partes de mim que perdi por ai.
"A minha alma, nem me lembro mais, em que esquina se perdeu ou em que mundo se enfiou".
Adoro quando alguém coloca em palavras o que eu sinto melhor do que eu mesma poderia explicar.
"Eu gostaria de ser meu antigo 'eu' novamente, mas eu ainda estou tentando encontra-lo".
"Você é o que você ama, e não quem ama você".
Desconfio que tudo que eu sinto agora já foi dito por outras pessoas.
Acho, então, que já posso ir dormir em paz esta noite.

(...)

E afinal, este é outro texto que não faz o menor sentido.

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