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segunda-feira, 28 de julho de 2014

Sobre um bom silêncio.




Acho que essa é a primeira vez na vida que eu desejo que o dia fique frio. Pelo menos frio o bastante para se usar cachecol.
Quero ler todos os livros do mundo, escutar todas as músicas, assistir todos os vídeos, saber todas as notícias.
Mas não agora.
Agora só desejo ouvir o barulho do mundo e descobrir que ele não consegue penetrar no meu silêncio. Porque meu silêncio é grande demais, forte demais. Meu silêncio grita memórias. Meu silêncio se instalou pra que o mundo girasse mais devagar. Meu silêncio de agora é um dos silêncios bons. É um dos silêncios que fazem a gente sentir cada sentimento dentro da gente. É um silêncio que não dói, não incomoda. É um silêncio que me faz ter consciência de todas as coisas, mesmo das que eu não conheço. Porque pensar em tudo e em nada ao mesmo tempo faz esse silêncio único se instalar dentro da gente.
Eu acho que eu aprendi como é que se espera. Eu consigo fazer isso agora.
Não significa que eu não queira que o tempo passe infinitanente mais rápido para aproveitar os próximos bons momentos que estão por vir.
Acho que isso significa que eu aprendi como deixar algumas coisas pra trás. Acho que significa que eu finalmente aprendi como não ser engolida no "mundo adulto".
Acho que isso significa que eu nunca estive tão bem, tão verdadeiramente bem, em toda minha vida.
Isso é engraçado. É o que eu esperava atingir: não preciso; mas eu quero.
Só pelo prazer de querer.

13h.

domingo, 27 de julho de 2014

Sobre um dia frio muito quente.



Começo a pensar que não existe um momento errado pra coisas certas acontecerem. Nunca é errado o bastante. Sempre é apenas um momento. Não um momento errado. Só um momento.
E é isso que temos.
É isso que somos:
Momentos.
Momentos, memórias e sonhos.
Mas as memórias são momentos que já passaram, e os sonhos são momentos que ainda não chegaram; eles fazem-nos ser quem somos, mas não são, de fato, o agora. Memórias e sonhos são essenciais. Mas a única coisa que podemos fazer, realmente, é viver momentos; o momento.
Estava eu a conversar com minha melhor amiga sobre momentos e como eles podem durar pra sempre por algumas horas.
Sempre acreditei que coisas boas acontecendo faziam o tempo passar mais rápido. Hoje descobri que mergulhar de cabeça em coisas e pessoas rasas faz o tempo passar mais rápido.
Descobri que quando nos agarramos a uma ilusão, o tempo voa, e sentimos que foi tempo perdido com pouco.
Descobri que quando uma coisa é intensa, boa, certa, o tempo passa bem devagar, e conseguimos prender cada segundo dentro da gente, pra reviver aquilo de novo e de novo quando precisamos de um motivo pra sorrir.
Descobri que uma vida inteira pode se passar durante um abraço, e a gente não liga, porque o mundo lá fora está simplesmente muito longe pra nos atingir.
Descobri que as músicas que eu ouvia aos 14 anos fazem sentido ainda.
Descobri que eu não preciso ter pressa, que eu não preciso ter medo.
Descobri que posso fazer o tempo congelar pra sempre em um segundo quando sinto aquele cheiro.
Descobri que não faço ideia de como terminar este texto.
Agora, tudo que sei é que eu quero cantar essa música tocando no celular como se não houvesse amanhã. Ou melhor, como se o amanhã fosse um dia repleto de coisas boas que irão me fazer sorrir.
Porque quando uma coisa da certo, todas as outras parecem encontrar seu caminho e irem na melhor direção possível.
Gosto disso.


18h.

sábado, 26 de julho de 2014

Isso!



Continuo a pensar que quando tudo parece sem saída, sempre se pode cantar.

Por essa razão escrevo.



Caio F. Abreu

quarta-feira, 23 de julho de 2014

"Ostra feliz não faz pérola"



"Eu não quero ir", pensei. E quando me dei conta, já estava lá. E meus dias estão muito melhores agora por eu ter ido.
"Eu não gostei disso tanto assim", pensei. E quando me dei conta, já estava saindo da loja com a sacola na mão. E eu estou muito feliz agora por ter comprado.
Sei lá.
Acho que, lá no fundo, meus instintos estavam o tempo todo me guiando na direção certa. Mas eu não conseguia prever aonde eles queriam que eu chegasse. Então, eu tive medo. E pensei que estava fazendo a coisa errada.
Eu realmente não devo duvidar da minha intuição.

(...)

Centenas de milhares de segundos se passam, e eu não consigo tirar esse sorriso do rosto.
"Ostra feliz não faz pérola", disse alguém. É preciso que algo esteja incomodando pra que se crie algo. Nem que seja um incômodo chamado curiosidade.
No meu caso, o incômodo é que todas essas palavras não cabem dentro de mim. Elas precisam sair. Elas precisam dizer ao mundo como me sinto.
Porque eu me sinto bem.
Porque eu gosto de como eu me sinto.
Porque o mundo parece mais certo agora.
Algo me incomoda. E, quando incomoda, a gente tem que por pra fora. E ai, a gente cria.
Eu acho que é isso. Eu acho que sempre algo vai me incomodar. Porque o mundo parece mais certo agora, mas ele nunca vai estar certo o bastante. Porque eu sempre vou precisar colocar todas essas palavras pra fora, antes de me afogar com elas. Porque eu sempre vou querer mais. E não ter tudo me incomoda. Porque eu sou uma criança mimada que exige ter todas as coisas boas do mundo.
E, enquanto eu não alcanço tudo, estarei incomodada. E ai, escrevo. E ai, me alivio. E ai, transformo grão de areia em pérola.

Estar incomodada com algo é uma das melhores coisas que pode acontecer com a gente.

21h.

domingo, 20 de julho de 2014

Tati sempre dizendo verdades :')



"Você precisa fazer alguma coisa, as pessoas dizem. Qualquer coisa, por favor, as pessoas dizem. O que não dá é pra ficar assim. Nem que seja piorar, nem que seja enlouquecer. Olho o rosto das pessoas. Tem os ossos, dai tem a parte de dentro. Tem os olhos e tem o fundo dos olhos."

Tati Bernardi

Crônicazinha para descontrair (:



E lá estava eu mais uma noite na salinha de segurança, observando os monitores de segurança principais do supermercado. É realmente fascinante esse trabalho, de observar pessoas. Bom, na verdade, o trabalho de monitorar as imagens das câmeras de segurança de um supermercado toda noite não é algo tão excitante assim. Mas, para um velho de 62 anos como eu não morrer de tédio sentado naquela cadeira, observo as pessoas pelo monitor, e suas atitudes.
É realmente engraçado prestar atenção no que as pessoas fazem quando não tem consciência de que estão sendo observadas. Quer dizer, é claro que todos sabem que em supermercados há câmeras instaladas, mas às vezes, por não ter ninguém fisicamente perto delas, as pessoas esquecem que há alguém que está vendo cada movimento que elas fazem: já vi pessoas dançando loucamente por se empolgarem com alguma música que estão ouvindo no fone de ouvido, já vi crianças brincando de super-herói com toalhas amarradas nas blusas...
Mas naquela noite, uma criança me intrigou. Era um garotinho, não devia ter mais do que sete anos. Ele entrou no supermercado com o que supus ser seu pai e sua mãe, e estava com a cara amarrada. Estava com um semblante de poucos amigos, com carinha de criança que teve um desejo negado. Mas, assim que começou a andar pelo supermercado, ele parou em frente uma prateleira por alguns segundos e, de repente, começou a sorrir. Mas não um sorriso pequeno e curto. Um sorriso daqueles de mostrar todos os dentes da boca. E o garotinho ficou sorrindo por todo o tempo em que esteve no supermercado fazendo compras com os pais.
Quando finalmente a família passou no caixa, o garoto fechou a cara de novo. Novamente seu semblante retornou ao ar de birra e irritação. E então, foram embora, o garoto e seus pais.
Fiquei me perguntando qual teria sido o motivo do súbito sorriso do garoto no tempo em que esteve no mercado. Lembrei-me então que ele havia aberto o sorriso após encarar uma prateleira por algum tempo. Voltei-me então para a câmera que me permitia olhar aquela parte do supermercado e não contive meu riso ao entender o porquê de o garotinho ter sorrido todo aquele tempo: em cima da prateleira havia uma placa na qual se lia “Sorria, você está sendo filmado”.



05/07/2013

segunda-feira, 14 de julho de 2014

Sobre coisas.



Eu odeio sair de casa com o cabelo preso. Mas odeio infinitamente mais quando alguém mexe no meu cabelo quando ele está preso.
Eu odeio pessoas que andam pela casa enquanto escovam os dentes. Eu odeio vários nomes; odeio muitos nomes começados com a letra D.
Eu odeio ficar sem esmalte. Eu odeio odiar tantas coisas. Eu odeio, ao mesmo tempo, odiar e amar certas coisas.
Eu não posso, sabe. Não consigo. Mas ninguém vê. Ninguém entende. Ninguém liga.
"Não pode o que? Não consegue o que?"
Não consigo. Só isso.
Preciso parar de precisar e aprender a querer puramente por querer, por prazer, porque é bom.
Preciso parar de não fazer sentido.
Preciso fazer menos sentido ainda.

(...)

Eu amo sentir o sol na pele em meio aquele frio horrível das sete e cinquenta e seis da manhã. Mas eu amo infinitamente mais quando não há aquele frio horrível as sete e cinquenta e seis da manhã.
Eu amo cantar músicas da Taylor Swift e do Fall Out Boy loucamente quando estou muito feliz ou muito mal.
Eu amo quando me pego rindo de algo que simplesmente me deixou alegre.
Eu amo quando consigo vomitar as palavras que se engasgaram na garganta a alguns dias.
Eu amo quando eu deixo certas coisas para trás e simplesmente não preciso vomitar palavra nenhuma.

(...)

Eu odeio não ter as palavras certas para usar. Odeio infinitamente mais quando as palavras certas são simplesmente duras demais, e eu não tenho coragem para usá-las.
Eu odeio quando me colocam no paraíso por cinco minutos e depois me puxam pra baixo. Porque isso é apenas muito injusto.
Eu odeio estar com sono as nove e dezesseis da noite. Eu odeio ter que acordar as seis e vinte e dois da manhã.

(...)

Eu só quero que três semanas passem rápido; quero que seis meses passem mais rápido ainda.
Quero coisas que sei que não terei. Quero um texto sem tanto drama. Quero um texto sem ele. Quero um dia sem me torturar com as mesmas músicas e lembranças que tanto gosto e odeio.
Eu estou com sono. Eu quero cantar uma música loucamente antes de ir dormir. Eu quero gritar. Eu quero encontrar as partes de mim que perdi por ai.
"A minha alma, nem me lembro mais, em que esquina se perdeu ou em que mundo se enfiou".
Adoro quando alguém coloca em palavras o que eu sinto melhor do que eu mesma poderia explicar.
"Eu gostaria de ser meu antigo 'eu' novamente, mas eu ainda estou tentando encontra-lo".
"Você é o que você ama, e não quem ama você".
Desconfio que tudo que eu sinto agora já foi dito por outras pessoas.
Acho, então, que já posso ir dormir em paz esta noite.

(...)

E afinal, este é outro texto que não faz o menor sentido.

domingo, 13 de julho de 2014

Sobre como eu me contrario todos os dias - e quase sempre me arrepende depois.



"Eu não vou", pensei. E quando me dei conta, já estava lá.
"Eu não gostei disso tanto assim", pensei. E quando me dei conta, já estava saindo da loja com a sacola na mão.
"Eu não vou passar do lado deles", pensei. E eu não passei. Mas depois me dei conta de que eu deveria ter passado, de que eu deveria ter dito "oi", com meu melhor sorriso estampado no rosto. Ai, talvez isso tivesse doido menos do que doeu todos esses dias.
"Eu não vou escrever, e muito menos postar, um texto sobre isso. Ele não merece". Mas me contrariar é uma das regras que eu mais obedeço todos os dias.
Sabe, eu acho que eles não deveriam me aceitar na faculdade. Porque cada dia mais me convenço de que eu tenho 13 anos, e não 18.
Porque não é possível que alguém que já viveu tanta coisa ainda cometa os mesmos erros, chore pelas mesmas coisas e ainda não tenha aprendido a esperar. Por isso, às vezes penso que todos esses últimos anos foram algum sonho maluco e que, amanhã, vou acordar e perceber que ainda tenho 13 anos.
"Triste não é quando uma criança tem medo do escuro, mas sim quando um adulto tem medo da luz". Li isso em algum livro uma vez, e desde então, me pergunto se eu sou adulta. Porque às vezes eu tenho medo da luz. As vezes eu prefiro o escuro, porque com as luzes apagadas é mais fácil interpretar uma personagem qualquer. Porque as pessoas não se preocupam em olhar nos olhos quando está escuro.
E eu me convenço mais ainda de que tenho 13 anos quando escuto músicas e penso que cada palavra delas foi escrita para contar sobre a minha vida.
Uma vez eu pedi pra deixarem as luzes acessas, e só me convenci de que elas são melhores apagadas no final (Sexta-feira 13). Agora, já começo preferindo o escuro, mas tem algo bem lá no fundo que me diz que logo eu vou gostar da luz de novo. Espero que esse algo esteja certo.

Porque textos escritos quando se está com sono não fazem sentido.



Hoje eu estava lendo os textos que postei nos últimos dois meses. E eu percebi que eles são todos o mesmo grito desesperado com palavras diferentes.
E, sabe... eu cansei. Eu só cansei.
Cansei de gastar minhas forças alimentando uma possibilidade morta. Cansei de sempre quase ser. Cansei de me importar com pessoas de quem eu já deveria ter me afastado. Cansei de estar cansada. Cansei de reprimir coisas que ficam melhores quando ditas.
Cansei de todas essas pessoas que fazem suposições e depois me julgam como uma pessoa horrível. Quer saber de uma coisa? Eu sou uma pessoa horrível. Sério. E eu adoro ser do jeito que eu sou.
"Eu passei na faculdade".
Essa é a minha nova frase preferida.
Eu estou com sono. E esse texto não faz sentido. Mas neste momento, as melhores coisas pra mim são as que não fazem sentido. Os dias que não fazem sentido e simplesmente acontecem são os melhores dias. Os olhares que não fazem sentido e simplesmente se cruzam são os melhores.
Hoje eu pensei algo que eu não deveria ter pensado. Na verdade, eu pensei muitas coisas que eu não deveria ter pensado e que eu jamais vou contar pra alguém.
Mas as possibilidades que jamais deveriam existir, quando consideradas, são as mais divertidas.
Sei lá.
Eu só queria escrever algo sobre como estou agora.
E eu não sei se eu faço sentido agora, então, o texto também não precisa fazer.


06/07/2014

terça-feira, 1 de julho de 2014

Da série: surtos de crise de meia idade.

Pergunto-me como é ser bonita.
Não que eu seja feia. Na verdade, sou bonita.
Mas o que me vem a mente agora são perguntas sobre como deve ser ser bonita, daquelas belezas que é impossível alguém achar feio.
Sabe, eu tenho duas calças jeans. Eu não tenho uma bolsa ou mochila legal. Eu não tenho uma jaqueta estilosa. Não por falta de dinheiro. Não por falta de bom gosto. Talvez seja por falta de oportunidade. Ou por simplesmente não achar bonito aquele tênis e aquela marca que todo mundo usa e não encontrar algo diferente do que as pessoas fazem virar "modinha".
Mas o que não me sai da cabeça é a tal pergunta: como é ser bonita?
Como deve ser ser uma garota com olhos claros penetrantes, ou com um cabelo naturalmente perfeito, ou com interesse por meninices, ou com assunto sobre "coisas que você é legal por gostar", ou com um jeito espontâneo que todo mundo admira?
Deve ser legal ser legal.
Deve ser legal ser bonita.
Como eu disse, graças ao bom Deus, não sou feia (como disse Vinícius de Morais: "as muito feias que me perdoem, mas beleza é fundamental"). Mas é que hoje eu passei em frente a um espelho e me achei muito bonita. Hoje eu passei batom e esmalte vermelhos e me achei linda. Hoje eu olhei fotos recentes e me achei maravilhosa. Essa semana tenho pensado sobre cortar o cabelo bem curtinho, e imagino que eu ficaria perfeita assim. Mas ai eu olhei ao meu redor e vi todas as outras mulheres e meninas com aquele tipo de beleza que é impossível alguém achar feio. Imagino que elas tenham mais de duas calças jeans, uma jaqueta estilosa e uma bolsa legal. Imagino que elas gostem de conversar sobre maquiagem ou super-heróis. Imagino que elas tenham um jeito espontâneo, determinado, engraçado ou meigo. Imagino que elas não tenham crise de meia idade aos 18 anos. Imagino que elas consigam viver uma vida normal e saudável sem estarem preocupadas com o vazio que ameaça preenche-las. Imagino (na verdade, vejo) que elas não parecem ter 13 anos quando, na verdade, vão fazer 19 em breve.
Talvez existam mulheres que foram colocadas no mundo para que todas as outras se sintam inferiores.
Ou talvez eu só deva passar mais batom e esmalte vermelho, e deixar-me ser.
Talvez eu só precise de uma jaqueta estilosa e uma bolsa legal.
Talvez eu deva fazer menos drama e gastar mais tempo observando as estrelas.
Ou talvez eu apenas esteja sendo tão dramática porque estou com fome.
Deixa eu ir jantar que eu ganho mais.