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segunda-feira, 23 de junho de 2014

Dois dias que parecem um só.



17/06/2014

Porque quando estou naquele ônibus, e ele passa naquela avenida, sei que é hora de fechar os olhos e aumentar a música num volume que me ensurdece (porque os pensamentos gritam alto demais, e eu não quero escuta-los mais uma vez!).
Porque hoje quando passei por aquela avenida, essa música começou a tocar, e ela faz meus pensamentos gritarem mais alto do que a música que me ensurdece.
Porque a (exatamente) um mês, o céu estava bonito e iluminado. Há duas semanas, o céu estava cinza, e chovia, e fazia frio, e minhas lágrimas se misturaram com as gotas que caiam do céu. E ontem o céu estava escuro. Tão negro como o gato que ficou me encarando na rua e me dizendo silenciosamente que eu não estar me importando é a única coisa que posso fazer.
E sabe, agora está frio. E eu não deveria estar nesse vento com apenas uma camiseta fina.

23/06/2014

Mas aquela camiseta fina e esse decote são as únicas coisas que eu posso oferecer.
Minhas unhas estão pintadas de rosa. Pergunto-me se você gostaria dessa meninice toda. Eu não gosto desse rosa claro. Quantos doze anos e nenhum estilo eu tenho para estar com um esmalte dessa cor? Mas essa cor é a única que eu posso ter agora. Eu odeio essa cor, mas eu a adoro também.
Tipo essa música que insiste em tocar uma vez mais. Eu a acho perfeita, mas eu a odeio. Eu nem estou naquela avenida agora, mas essa música me lembra as coisas que a avenida me lembram.
E hoje eu acordei querendo aqueles quatro dias e meio de volta.
"Meu coração ama mais quando ele está quebrado". É o que diz a música que está tocando agora. Aquela música que eu amo e odeio.
E está frio.
Mas talvez eu deva sentir frio.
Pelo menos estou sentindo algo assim.

(...)

"E eu quero te ensinar uma lição do pior jeito possível.
Mas eu ainda trocaria todos os meus amanhã's por apenas um ontem", diz a música que toca agora...

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