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sexta-feira, 19 de julho de 2013

Da série: inspiração da madrugada



É madrugada. Gosto dessa hora do dia.
Silêncio... É como se as melhores ideias não tivessem sido tomadas ainda. É como se a inspiração vagasse mais livremente, sem tantas mentes e corações para preencher.
Ouço um som ao longe. Significa que mais alguém ainda está acordado. Mas em geral, o mundo agora dorme. O meu mundo, pelo menos, dorme.

Em silêncio...

Imagino os inquietantes pesadelos que podem estar dominando o sono de milhares, milhões de pessoas, nesse exato instante.
Imagino os incontáveis sorrisos que podem estar surgindo agora, em rostos alegres, ou satisfeitos, ou imersos em suas próprias loucuras.
Imagino as inúmeras lágrimas que podem estar escorrendo e sendo afogadas em travesseiros de todo o mundo enquanto estou eu aqui a digitar.

Tec. Tec. Tec.

Imagino tudo isso porque a madrugada é a hora da consciência. Ou da súbita negação. Ou da contagem dos atos que fizeram bem ou mal, a alguém ou a nós mesmos.
A madrugada é a hora em que nossos corações se abrem, ou dançam, ou sangram. A hora de dormir é a hora em que não somos capazes de esconder algo de nós mesmos, pois tudo o que está dentro da mente ou do coração tem que se esvair em algum momento, para que sobre espaço para algo além da loucura, ou do excesso, ou das tristezas, ou da esplêndida sensação de alegria. Afinal, lembremos daquela velha frase de vó: "tudo o que é demais faz mal".
Vivemos na busca desse tal utópico "equilíbrio". Afinal, posso afirmar que ele é uma das metas mais importantes que nós seres humanos temos para alcançar (e não se engane ao pensar que o equilíbrio não é feito também de algumas loucuras; para toda regra, pelo menos uma exceção).
E aqui, sentada em meu quarto, em frente a uma pequena tela e um doce teclado, cercada por tudo e por nada, durante a madrugada, escrevo.
Talvez para buscar tal equilíbrio.
Talvez para tentar me entender, e entender o mundo, através de incontáveis combinações de letras e palavras de milhares de formas e jeitos distintos.
Meu coração bate calmamente aqui dentro.
Minha mente se desfaz de coisas desnecessárias nesse exato momento.
Não penso em nada.
Apenas sinto.
Sinto e cedo ao impulso de teclar diversas letras e formar um texto.
Meu coração sorri. Está lentamente se desinfetando dos males do dia, da semana, do ano, dos dezessete anos que se passaram...
Paz.
Sinto um breve e raro momento de paz...
E sorrio. Um sorriso diferente. Novo.
Gosto desse novo sorriso. É com o coração :)

Um comentário:

  1. meu Deus! Você deu vida aos "pensamentos da madrugada", deu sentido e os completou! Parabéns, de verdade. Ganho uma leitora regular. Não é por ser sua amiga, mas que ótima escritora temos aqui, justo vc que me dizia "vc devia continuar escrevendo" era uma honra te ter lendo meus meros escritos <3 Parabéns e honrarias, amiga

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