Está frio. Meus dedos estão gelados. Minhas unhas, pintadas de vermelho. Meu coração, batendo, num ritmo que ainda estou tentando entender.
Sentada aqui, vejo a cidade passar. E, subitamente, percebo que me entreguei novamente: estou me afogando em mim mesma.
(...)
Exitem vários tipos de silêncio.
Tem o silêncio da voz que se cala para fechar os olhos e sentir o toque.
Tem o silêncio da voz que se cala para apreciar com os olhos.
Tem o silêncio da voz que se cala para ouvir os gritos dos pensamentos.
Tem o silêncio das letras que cessam por introspecção.
Tem o silêncio das letras que se tornam raras por dúvida.
Tem o silêncio das letras e voz que somem a mando do coração, por ele ter medo de se machucar outra vez.
Tem o silêncio de todos os sons, exceto do riso, que pode ser bom, encantado, desesperado, contido ou amargo.
Tem o silêncio das letras escritas, que gritam por algo que não pode ser dito.
Tem o silêncio desesperado dos sons e letras que dizem o que não querem dizer, e escondem o que está estampado no peito.
Tem o silêncio da noite, da voz, das letras, para dar espaço somente a um "tec tec tec" que me alivia um pouco a alma.
Tem o silêncio que grita e me manda fazer algo, qualquer coisa, qualquer loucura, qualquer algo que me faça sentir.
Tem o silêncio que me diz que devo correr atrás de sensações, para que o nada não varra tudo novamente.
E tem o silêncio da lágrima que escorre e me diz que eu não preciso me afogar em sentimentos passados ou fingidos, o silêncio que me diz que devo ter esperança, e que vai ficar tudo bem...
Mas, acima de tudo, tem o silêncio que dói aqui dentro por estar silenciado sozinho, o silêncio que quer ser silêncio junto com o silêncio de um outro alguém.
(...)
[E tem o silêncio que me diz que eu não deveria postar este texto no blog. Mas os outros silêncios gritam mais alto que ele, então, eu o ignoro. Talvez eu me arrependa disso.]
01h25min.

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