Dominique.
Oh, doce Dominique...
Sempre sorridente. Sempre educada. Sempre prestativa. Sempre submissa. Sempre compreensiva. Sempre recatada. Sempre prendada. Sempre modelo e inspiração para tantas. Sempre o orgulho da família. Sempre inteligente (nunca esperta). Sempre boa moça. Sempre morta por dentro.
Oh, doce Dominique...
Nunca lhe disseram que exibir um lindo sorriso não é felicidade? Nunca lhe disseram que um sorriso pode esconder uma alma despedaçada e vazia de alegria? Nunca lhe disseram que felicidade de verdade é quando quem sorri é a alma, e não os lábios, Dominique?...
Palavras mentem; escondem; traem; ferem. Sorrisos também.
A única coisa que não mente, não esconde e não trai é a nossa própria alma, Dominique. Às vezes nos fere com verdades que, por vezes, enxergamos tarde demais. Mas a única coisa pura de verdade é a nossa própria alma, Dominique.
Confie nisso.
Confie nessas palavras.
Palavras mentem, escondem, traem e ferem. Mas a garantia de que essas palavras que te digo são quase tão puras quanto a alma é que você sabe que eu estou falando a verdade, Dominique. Você pode não admitir, mas no fundo, nem que seja em um cantinho da sua pura alma, você sente que não é feliz, Dominique. Você sabe que sua alma grita para que você liberte-se dessa suposta felicidade que é fabricada em série e jogada aos quatro ventos para que alcance a todos, Dominique. Você sabe que a felicidade pela qual a sua alma clama é outra, Dominique. Você sabe que não quer deixar essa felicidade fabricada - e tão falsa quanto peitos grandes cheios de silicone - te dominar, Dominique...
O que você não sabe, Dominique, é que tudo isso pelo que sua alma clama é grande. Você prende-se ao medo, a milhares de medos, e tenta convencer a si mesma que essas coisas que sente, tão puramente, são apenas devaneios. Não são, Dominique.
E se forem, deixe-os ser. Devaneie-se, Dominique. SEJA LOUCA, DOMINIQUE! Seja selvagem, Dominique...
Você é um ser humano, e por mais que não queiram aceitar, todos os seres humanos fazem parte da natureza. São seres que se julgam racionais, que tentam ser superiores a todos os outros seres, mas que ainda assim pertencem a natureza, Dominique.
Portanto, não há nada de errado em seguir a mais primordial e pura coisa que a alma te dá, Dominique: o instinto. A emoção. A busca incessante pela felicidade... a felicidade que a alma quer.
Busque pela felicidade, doce Dominique. Mas pela felicidade pela qual a sua alma clama - não por essa felicidade de plástico que te empurram pela garganta todos os dias...
06/11/2013, 20h.

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