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terça-feira, 19 de novembro de 2013

18/11/2013



Dezenas de palavras otimistas envolveram meu coração e criaram um esconderijo que parecia seguro a princípio.
Agora, começo a duvidar da força das palavras otimistas que escrevi a dias: o medo começa a penetrar minha fortaleza que agora parece ser de vidro.

Não sei no que acreditar.

Ou as palavras otimistas construíram uma fortaleza de aço, e o medo quer me fazer crer que é de vidro, ou as palavras realmente construíram um frágil abrigo de vidro, e o otimismo me faz crer que estou sob proteção de uma fortaleza de aço...

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Estará o medo me alertando ou me iludindo?

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Dominique



Dominique.
Oh, doce Dominique...
Sempre sorridente. Sempre educada. Sempre prestativa. Sempre submissa. Sempre compreensiva. Sempre recatada. Sempre prendada. Sempre modelo e inspiração para tantas. Sempre o orgulho da família. Sempre inteligente (nunca esperta). Sempre boa moça. Sempre morta por dentro.

Oh, doce Dominique...
Nunca lhe disseram que exibir um lindo sorriso não é felicidade? Nunca lhe disseram que um sorriso pode esconder uma alma despedaçada e vazia de alegria? Nunca lhe disseram que felicidade de verdade é quando quem sorri é a alma, e não os lábios, Dominique?...

Palavras mentem; escondem; traem; ferem. Sorrisos também.

A única coisa que não mente, não esconde e não trai é a nossa própria alma, Dominique. Às vezes nos fere com verdades que, por vezes, enxergamos tarde demais. Mas a única coisa pura de verdade é a nossa própria alma, Dominique.
Confie nisso.
Confie nessas palavras.
Palavras mentem, escondem, traem e ferem. Mas a garantia de que essas palavras que te digo são quase tão puras quanto a alma é que você sabe que eu estou falando a verdade, Dominique. Você pode não admitir, mas no fundo, nem que seja em um cantinho da sua pura alma, você sente que não é feliz, Dominique. Você sabe que sua alma grita para que você liberte-se dessa suposta felicidade que é fabricada em série e jogada aos quatro ventos para que alcance a todos, Dominique. Você sabe que a felicidade pela qual a sua alma clama é outra, Dominique. Você sabe que não quer deixar essa felicidade fabricada - e tão falsa quanto peitos grandes cheios de silicone - te dominar, Dominique...
O que você não sabe, Dominique, é que tudo isso pelo que sua alma clama é grande. Você prende-se ao medo, a milhares de medos, e tenta convencer a si mesma que essas coisas que sente, tão puramente, são apenas devaneios. Não são, Dominique.

E se forem, deixe-os ser. Devaneie-se, Dominique. SEJA LOUCA, DOMINIQUE! Seja selvagem, Dominique...

Você é um ser humano, e por mais que não queiram aceitar, todos os seres humanos fazem parte da natureza. São seres que se julgam racionais, que tentam ser superiores a todos os outros seres, mas que ainda assim pertencem a natureza, Dominique.
Portanto, não há nada de errado em seguir a mais primordial e pura coisa que a alma te dá, Dominique: o instinto. A emoção. A busca incessante pela felicidade... a felicidade que a alma quer.
Busque pela felicidade, doce Dominique. Mas pela felicidade pela qual a sua alma clama - não por essa felicidade de plástico que te empurram pela garganta todos os dias...

06/11/2013, 20h.

sábado, 2 de novembro de 2013

01/11/2013



Fecho-me. Calo-me.
O sorriso escorrega dos lábios. Foge, corre para longe, desaparece.
Sinto falta de tudo aquilo que nunca vivi, que nunca vi, que nunca senti. Sinto saudades de um passado que não foi meu.
Sinto imensa falta do que nunca tive. Sinto imensa saudade da felicidade que nunca realmente me pertenceu.
Quando encontro-me sozinha, sou apenas uma garotinha de cinco anos com medo do escuro. Ou com medo de acender a luz e enxergar, e descobrir que enganei-me mais uma vez. Mais duas vezes. Mais cem vezes...
Reclamo do escuro, digo que ele me atormenta... mas começo a pensar que talvez o meu real medo seja acender a luz.