(...)
Não quero mais um amor.
Quero alguém que me entenda até nas horas que eu já não consigo fazer isso sozinha.
Não quero frases prontas, aliança e rosas vermelhas.
Quero um abraço em silêncio e com falta de ar.
Não quero ter que mostrar o caminho sozinha, quero aprender a não me importar tanto com a direção.
O cara dos meus sonhos sabe mais do que eu sobre a vida. É justamente isso que me faz querer estar sempre ao seu lado. Ele gosta dos pequenos e quase imperceptíveis detalhes. Enxerga os meus, e enquanto brigo por coisas bobas do cotidiano, os repara em silêncio. E nesses momentos, ignora absolutamente tudo que digo. Depois me beija causando uma amnésia temporária – até eu entender que não vale a pena ter sempre razão.
Não me importo tanto com a cor dos seus olhos. Mas me derreto pela maneira com que eles me encaram quando acham que estou distraída. Também não me importa com a cor dos cabelos. Torço é para que ele não seja tão cuidadoso com eles – vou adorar bagunçá-los quando estiver com tédio.
Ele faz carinho no meu braço enquanto durmo. Ama viajar e ir ao cinema. Tem orgulho dos meus sonhos e faz questão de nunca se tornar um obstáculo. Ele não tem histórias mal-resolvidas com ninguém do passado.
E é nessa mistura de tempos verbais, que desabafo sua improvável existência.
Ele não é príncipe, não é sapo e nem é meu. É do mundo.
Por isso vou dormir e acordar, até chegar a hora certa de vê-lo (ou revê-lo).
Quero estar pronta por dentro e por fora.
Pra no meio dessas grandes multidões de todo dia, a gente se esbarrar, olhar pra trás ao mesmo tempo e pensar: é você.
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