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sábado, 5 de janeiro de 2013

Fins e começos


Alguém me disse que, em nossa cultura, somos preparados para decolar, não para aterrissar.
Faz sentido.
Subir na carreira é empolgante, se aposentar parece um tédio. Começar um namoro é uma delícia, ser feliz depois de anos de relação é mais complicado. A gente ama descobrir um livro ótimo, mas sente um buraco quando ele acaba. Gosta dos preparativos das festas, não quando estão varrendo o salão...


Mas fico pensando nessa nossa mania de dividir o mundo em dois.
Você prefere praia ou campo? É ansiosa ou tranquila?
Como se fôssemos simples como um formulário.
Como se não pudéssemos ouvir sertanejo na balada e, num momento mais introspectivo, curtir um jazz no carro.
Rivalidades que não precisam existir são criadas o tempo todo.
Tentativa de simplificar a vida, parece.


Talvez os fins sejam como nós: muito mais complexos do que uma opção entre A ou B.
E talvez eu não sentisse o mau humor e o vazio existencial se me lembrasse de que eles - os fins - estão colados nos começos.

Dividimos o mundo em dois para achar que o entendemos melhor.
Mas, no fundo, nós sabemos bem: não existe salão para varrer se não tiver havido uma festa antes.


De: Liliane Prata

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