Hoje vim postar algo um pouco diferente dos textos que costumo colocar aqui no blog: postarei o prólogo de um romance que comecei a escrever em abril de 2012.
Alguns poucos amigos sabem da existência dessa história, que ainda não está terminada. Mas eu nunca postei nenhum trecho dela em lugar algum. Resolvi fazê-lo hoje. Por quê? Ué, por que não? Haha.
Caso vocês, meus leitores, gostem da história (ou caso me de vontade :p) postarei mais trechos da história.
Em resumo: Luna Aislin, aos 95 anos, em seu leito de morte, relembra sua adolescência. Ela foi apaixonada por dois garotos por anos e anos, até que um deles morre tragicamente. Ai você pensa: "hãn, mais uma historinha de amor com um triângulo amoroso?". Talvez. Talvez algo bem mais profundo e sensível do que isso. Uma história sobre amor, sobre a alma humana, sobre morte, sobre vida. Sobre lendas de almas gêmeas.
Sem mais delongas, o prólogo do romance, ainda sem título.
São Paulo - Setembro de 2092
“Amor.
Sempre imaginei que fosse algo belo, único, puro, doce e inocente. E de fato é. Sempre imaginei que pessoas que se amassem iriam se compreender e aceitar umas as outras sempre. Eu sempre soube que nem sempre o amor é algo fácil, mas nunca imaginei que um dia ele me deixaria nesta situação... O amor tem que ser exclusivo? É errado amar duas pessoas? É errado sentir essa coisa inexplicável por mais de um alguém? É errado querer dar a sua vida só para ver essas duas pessoas felizes? É errado amar? Só porque se ama duas pessoas ao invés de uma? O que é errado quando se trata de amor? Essas milhões de vozes dentro de mim (e essas malditas opiniões alheias) um dia me matam...”.
Olhei para as palavras que havia escrito anos e anos atrás em meu caderno de segredos e desabafos, aquele simples, com o espiral já meio descascado, as folhas amareladas e a capa de Lucy, a garota morena que foi minha conselheira silenciosa em todos esses anos, aquele desenho que nunca mudou, nunca saiu dali, nunca se moveu. Mas sempre me ouviu sem reclamar. E reli as palavras. De novo. E de novo. E de novo. As palavras que eu mesma havia colocado no papel e que me assombraram por muito tempo. Foram o motivo de muitas das minhas lágrimas reprimidas, o motivo de quase todas as vezes que eu chorava escondida pelos cantos, o motivo de inúmeras noites sem dormir...
Eu de fato não sabia mais o que fazer. Estava sozinha e confusa. Ainda estou sozinha. Mas hoje não preciso mais estar confusa. Não tenho mais nada para decidir. Agora não há mais ninguém que queira me dizer o que é certo ou errado. E aqueles pensamentos não me assombravam há tempos.
Mas acabei de acordar de um sonho que tive. Sonhei com eles. Josh Ewan e Bryan Dustin.
E chorei. Senti-me novamente a Luna Aislin confusa e triste que fui por anos... Senti-me de volta aos meus dezessete anos... Aquele dia chuvoso de setembro, há muitos anos trás... O dia em que o destino decidiu por mim.
Senti vontade de fechar os olhos e reviver um pouco daquela noite, reviver um pouco da alegria que tive ao imaginar por pelo menos um segundo que tudo poderia dar certo... Mas hoje estou com noventa e cinco anos. Não posso nem voltar para minha própria sala de estar sozinha, pois não consigo mais sair dessa cama, meu futuro leito de morte. Não sou boba. Nunca realmente fui. Sei que mesmo com toda a tecnologia e os avanços científicos, em breve estarei morta. E ai, quem sabe o que me aguarda? Quem sabe eu reencontre-os e talvez, em algum outro lugar além deste mundo, eu possa ser feliz com eles... Esse é o mais profundo desejo do meu coração.
Aqui, sozinha, deitada no escuro que me assombra, com medo do desconhecido, relembro de toda a minha vida... Tudo passa em minha mente como um filme. Talvez eu tenha acabado de morrer afinal. Sempre me disseram que quando se morre, ou se está para morrer, um filme passa pela sua mente com toda a sua vida...
E então começo a me lembrar de muitas coisas, de coisas que nem sabia que eu lembrava mais...
Lembro-me de quando eu era criança. De meus pais. De viagens que fiz antes mesmo dos meus dez anos...
Mas minha mente logo me leva as minhas lembranças dos meus quatorze, quinze anos. Lembro-me de todos os garotos com quem namorei, lembro-me também dos quais simplesmente beijei... Lembro-me de cada rosto, de cada lágrima que derramei por eles, de cada promessa não cumprida... De cada vez que pensei que era amor... Um sorriso leve preenche meu rosto, me fazendo pensar de como teria sido fácil se de fato eu simplesmente amasse um daqueles garotos...
E meu sorriso muda. Vai de saudoso e sonhador para malandro e satisfeito quando me lembro de Santiago, de Ághata... Ah, eu havia vencido as barreiras afinal! Eu havia vencido a própria tentação! Tempos difíceis aqueles, em que tive que lidar com esses dois anjos do mal...
E novamente meu sorriso muda, para um sorriso agradecido. Lembro-me de Miguel. Ah, Miguel! Devo muito a ele. “Aquele anjo de pessoa”...
E então chega a minha mente uma nova lembrança. Mas esta não faz meu sorriso mudar. O faz desaparecer, pois não caberia em meus lábios um sorriso tão grande quanto o que eu desejo expressar... Lembrei-me da primeira vez que vi Josh. Lembrei-me daqueles olhos verdes que me encantaram desde a primeira vez que os olhei... Naquela tarde no parque.
11/04/2012
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4:00 da manhã e eu aqui, lendo algo que ja tive o prazer de ler algumas vezes, porém podendo reviver mais uma vez a beleza da escrita quando manipulada por alguém que ama haha parabéns, vc escreve muito bem... Eu confesso que sou péssimo em disfarces e não manterei minha identidade intacta postando isto como anonimo, mas uma coisa eu tenho plena certeza: vc merece ser elogiada, bajulada... E também, de vez em quando, um chá de dureza... Mas só pra te tornar mais especial e forte do que vc ja é...
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