Pesquisar

domingo, 29 de dezembro de 2013

The moment I knew.



Ela tinha 17. E tinha 50 ao mesmo tempo. Falo de idade. Idade real e idade irreal. Se não entendeu o que eu quis dizer, o problema é seu. Ah, e ela tinha 7 também. Sete anos e sete decepções. E ela tinha 13. Treze anos e treze dias. Treze dias do mês quatro, pois era treze de abril. Ou seria treze de maio? Ou seriam treze decepções?
Ela tinha 3. Três minutos de uma música tocando, e três lágrimas escorrendo. Ou seriam mais de três? Mais de três minutos e mais de três lágrimas? Eu não saberia dizer, pois o tempo estava passando de forma estranha naquele dia, treze de abril. Ou seria 13 de maio? Eu também não saberia dizer. Ela só sabia que nada sabia. Oh!
Ela tinha 1. Um ano. Ela tinha 0. E ninguém.
Ela estava esperando a chuva cair.

.
.
.


Será que ela deveria acreditar nas coisas todas que nos dizem existir?



13/04/2013

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Prólogo.

Olá!
Hoje vim postar algo um pouco diferente dos textos que costumo colocar aqui no blog: postarei o prólogo de um romance que comecei a escrever em abril de 2012.
Alguns poucos amigos sabem da existência dessa história, que ainda não está terminada. Mas eu nunca postei nenhum trecho dela em lugar algum. Resolvi fazê-lo hoje. Por quê? Ué, por que não? Haha.
Caso vocês, meus leitores, gostem da história (ou caso me de vontade :p) postarei mais trechos da história.

Em resumo: Luna Aislin, aos 95 anos, em seu leito de morte, relembra sua adolescência. Ela foi apaixonada por dois garotos por anos e anos, até que um deles morre tragicamente. Ai você pensa: "hãn, mais uma historinha de amor com um triângulo amoroso?". Talvez. Talvez algo bem mais profundo e sensível do que isso. Uma história sobre amor, sobre a alma humana, sobre morte, sobre vida. Sobre lendas de almas gêmeas.

Sem mais delongas, o prólogo do romance, ainda sem título.



São Paulo - Setembro de 2092

  “Amor.
  Sempre imaginei que fosse algo belo, único, puro, doce e inocente. E de fato é. Sempre imaginei que pessoas que se amassem iriam se compreender e aceitar umas as outras sempre. Eu sempre soube que nem sempre o amor é algo fácil, mas nunca imaginei que um dia ele me deixaria nesta situação... O amor tem que ser exclusivo? É errado amar duas pessoas? É errado sentir essa coisa inexplicável por mais de um alguém? É errado querer dar a sua vida só para ver essas duas pessoas felizes? É errado amar? Só porque se ama duas pessoas ao invés de uma? O que é errado quando se trata de amor? Essas milhões de vozes dentro de mim (e essas malditas opiniões alheias) um dia me matam...”.

  Olhei para as palavras que havia escrito anos e anos atrás em meu caderno de segredos e desabafos, aquele simples, com o espiral já meio descascado, as folhas amareladas e a capa de Lucy, a garota morena que foi minha conselheira silenciosa em todos esses anos, aquele desenho que nunca mudou, nunca saiu dali, nunca se moveu. Mas sempre me ouviu sem reclamar. E reli as palavras. De novo. E de novo. E de novo. As palavras que eu mesma havia colocado no papel e que me assombraram por muito tempo. Foram o motivo de muitas das minhas lágrimas reprimidas, o motivo de quase todas as vezes que eu chorava escondida pelos cantos, o motivo de inúmeras noites sem dormir...
  Eu de fato não sabia mais o que fazer. Estava sozinha e confusa. Ainda estou sozinha. Mas hoje não preciso mais estar confusa. Não tenho mais nada para decidir. Agora não há mais ninguém que queira me dizer o que é certo ou errado. E aqueles pensamentos não me assombravam há tempos.
  Mas acabei de acordar de um sonho que tive. Sonhei com eles. Josh Ewan e Bryan Dustin.
  E chorei. Senti-me novamente a Luna Aislin confusa e triste que fui por anos... Senti-me de volta aos meus dezessete anos... Aquele dia chuvoso de setembro, há muitos anos trás... O dia em que o destino decidiu por mim.
  Senti vontade de fechar os olhos e reviver um pouco daquela noite, reviver um pouco da alegria que tive ao imaginar por pelo menos um segundo que tudo poderia dar certo... Mas hoje estou com noventa e cinco anos. Não posso nem voltar para minha própria sala de estar sozinha, pois não consigo mais sair dessa cama, meu futuro leito de morte. Não sou boba. Nunca realmente fui. Sei que mesmo com toda a tecnologia e os avanços científicos, em breve estarei morta. E ai, quem sabe o que me aguarda? Quem sabe eu reencontre-os e talvez, em algum outro lugar além deste mundo, eu possa ser feliz com eles... Esse é o mais profundo desejo do meu coração.
  Aqui, sozinha, deitada no escuro que me assombra, com medo do desconhecido, relembro de toda a minha vida... Tudo passa em minha mente como um filme. Talvez eu tenha acabado de morrer afinal. Sempre me disseram que quando se morre, ou se está para morrer, um filme passa pela sua mente com toda a sua vida...
  E então começo a me lembrar de muitas coisas, de coisas que nem sabia que eu lembrava mais...
   Lembro-me de quando eu era criança. De meus pais. De viagens que fiz antes mesmo dos meus dez anos...
  Mas minha mente logo me leva as minhas lembranças dos meus quatorze, quinze anos. Lembro-me de todos os garotos com quem namorei, lembro-me também dos quais simplesmente beijei... Lembro-me de cada rosto, de cada lágrima que derramei por eles, de cada promessa não cumprida... De cada vez que pensei que era amor... Um sorriso leve preenche meu rosto, me fazendo pensar de como teria sido fácil se de fato eu simplesmente amasse um daqueles garotos...
  E meu sorriso muda. Vai de saudoso e sonhador para malandro e satisfeito quando me lembro de Santiago, de Ághata... Ah, eu havia vencido as barreiras afinal! Eu havia vencido a própria tentação! Tempos difíceis aqueles, em que tive que lidar com esses dois anjos do mal...
  E novamente meu sorriso muda, para um sorriso agradecido. Lembro-me de Miguel. Ah, Miguel! Devo muito a ele. “Aquele anjo de pessoa”...
  E então chega a minha mente uma nova lembrança. Mas esta não faz meu sorriso mudar. O faz desaparecer, pois não caberia em meus lábios um sorriso tão grande quanto o que eu desejo expressar... Lembrei-me da primeira vez que vi Josh. Lembrei-me daqueles olhos verdes que me encantaram desde a primeira vez que os olhei... Naquela tarde no parque.


11/04/2012

domingo, 22 de dezembro de 2013

O dia que o amor morreu



Na manhã que o amor acabou tinha urina no chão da sala. Uma pocinha bem pequena perto da planta. Fiquei na dúvida se era água caída do pratinho do vaso ou malcriação de bicho. Talvez eu tivesse regado e dado um quarto de antibiótico pra cachorra que estava com tosse. Na dúvida, pensei em fazer de novo. Sem saber, como expliquei, se era repetido. Água em dobro e metade do remédio seriam demais. Mas não fazer, caso fosse a primeira vez, seria de menos. Eu seco, eu rego, eu medico. Os imperativos simples e práticos de verbos serviçais burlavam dores pessoais de pronomes.

Na manhã que o amor acabou, almocei na minha mãe. Ela contou que a colcha colorida não tinha saído bonita na foto do site da imobiliária. Eu chorei e ela quis saber se colcha colorida me lembrava alguma coisa. Não lembrava. Mas as frases com alguma graça e nascidas pra nada emprestavam o charme da sua promessa, sempre me sabendo em urgências dosadas. Eu retornava com a felicidade direta de quem é procurada antes de se proteger e apertava suas letras comprovando, com minha digital, uma existência catalogada. Meu pensamento era um carimbo no horizonte toda vez que você gostava de ouvir.

Foram duas lágrimas. A primeira despencou rapidamente, como um suicida magrinho e sem talento. A segunda ficou um tempo ninada pelas bordas até que caiu já quase seca nem passando da metade do rosto. O sofrimento foi tão ralo que sequer alcançou o nariz. Fiquei com preguiça de alguma saudade surpresa crescer escondida e me apunhalar em brechas de fraqueza e carinho, mas ela nunca apareceu e agora, se chegasse, seria só uma fantasia bordada de última hora pelo tédio. Na manhã que o amor acabou, eu cismei que probióticos me protegem de não pegar gripe e que pego gripe sempre que o amor acaba. Me enchi de iogurte e isso me mostrou uma novidade em ver um amor acabando: era momento de adorar cabisbaixa uma história mas eu estava mais ocupada em me lançar cuidadosa aos dias que nem existiam.

Que nome tem estar cagando pra única coisa mais importante do mundo? Veja que desde o começo do ano passado, só pra citar tempos recentes, o amor já acabou três vezes. Acabou em março, em agosto e agora em fevereiro. Mas, só porque o cinismo nos dá gosto pelo jogo do contrário, posso dizer também que, desde o começo do ano passado, o amor já começou três vezes. Começou em janeiro, em junho e em novembro. Temos uma média de três a cinco meses tanto pro amor começar quanto pra ele acabar. O que significa que logo mais tamos aí. E depois tamos aí de novo. Como se essa coisa que tanto aconchega a loucura, como se essa coisa que tanto acidifica os cortes, como se essa coisa que tanto vulcaniza os tamanhos. Não passasse de um ping pong exato que satiriza as metáforas de profundidade.

E só porque o cinismo nos dá gosto também pelo jogo do tudo a mesma merda. Até pouco tempo, tinha essa coisa de Nina Simone regida pela buzina de muco nasal no papel higiênico. Mas pra cada dia daquela semana em que o amor acabou, eu tinha uma entrega importante de trabalho e, se não me engano, uns dois almoços bem importantes e pelo menos um dos meus médicos bem difíceis de marcar. A vida seguiu tão normalzinha, eu falei pra minha analista. Tanto que você tá estranhando, ela respondeu. É. Sorrimos sem intensidade e duração, da casca que agora separava meu sangue de salivas. São águas que correm paralelas com uma pele no meio. Ela só disse “olha que bom” e ser tratada como uma pessoa não foi mais tão horrível. Eu amo pouco agora que não morro mais? Ela não respondeu. Depois mordi bem forte meu braço sem definir se era homenagem, despedida ou inconformismo. Ficou a suspeita de um espasmo de vício humilhado pela desimportância do costume.

Tati Bernardi

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Quase lá.



Branco.
Uma grande
página
em branco.

Silêncio.
Um rosto
cheio
de nada.

Sonho.
Uma criança
que ousa
acreditar.

Something.
Um castelo
com incontáveis
armadilhas.

Impossível.
Uma louca
que quer
tudo.

Dezoito.
Um pulo,
o momento.
Agora.

.
.
.

Coragem.
Conquistar o mundo.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.



Felicidade.

Eu compreenderei.



— Posso dizer tudo?
— Pode.
— Você compreenderia?
— Compreenderia. Eu sei muito pouco. Mas tenho a meu favor tudo o que não sei e – por ser um campo virgem – está livre de preconceitos. Tudo o que não sei é a minha parte maior e melhor: é a minha largueza. É com ela que eu compreenderia tudo. Tudo o que não sei é que constitui a minha verdade.



Clarice Lispector (Livro Clarice na cabeceira, pg. 149)

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Vida.



Eu cai.



Por 17 anos, estive em queda livre.
Mas eu conseguia ver as minhas possibilidades de pouso.



Agora estou em um breve, breve período de espera. Estou em terra firme, e não estou caindo.
Mas a cada dia, a cada hora que se passa, estou andando e sendo empurrada em direção a ponta do penhasco. Logo, terei que pular novamente.
E cair
cair
c
a
i
r
.
.
.
E, dessa vez, as possibilidades de pouso estão cada vez menos visíveis, cada vez mais distantes, cada vez mais perigosas.




Por quase 18 anos, eu cai. Mas tal queda foi quase como um treino. A grande queda livre começará em breve...
Antes
que eu perceba,
estarei
ca
in
do
n
o
v
a
m
e
n
t
e
.
.
.

Mas acho que agora eu estou pronta.

domingo, 1 de dezembro de 2013

Welcome!

Dezembro é o mês que mais me faz feliz. E não, não é por causa do Natal.
Dezembro é o mês em que o mundo se acerta e gira na velocidade certa *-*
Dezembro... uhuuuu! \o/