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quinta-feira, 18 de abril de 2013

18/04/2013


Palavras desconexas.
Sentimentos jogados ao vento, sem resposta, sem ar.
Sinto que me falta o ar. Sinto que me falta algo que ainda desconheço o que seja.
Quero e não quero.
Não faz sentido.
Não quero que faça sentido, porque no momento em que fizer, não terei mais direito de escolha: os sentimentos já terão decidido por mim.
Ah, sentimentos!
Sentimentos sentidos, sentimentos sonhados, sentimentos desejados, sentimentos gritados, sentimentos guardados, escondidos, amassados, jogados pela janela. Sentimentos confusos, inomeados, não classificados (não sei a qual ordem, família ou gênero pertencem tais sentimentos!).
Palavras desconexas percorrem meus pensamentos, a mil quilômetros por hora. Ou talvez, dois mil. Dois mil pensamentos em uma mesma fração de segundo. Duas mil palavras irracionais tentando provar terem razão. Duas mil estrelas no céu brilhando e me fazendo sonhar.
Ah, estrelas no céu. Ah, luzes da cidade. Ah, grito gritado dentro do peito, mas silencioso em seu gritante desespero externo...
Noite.
Outra noite de perguntas sem respostas. De desejos irracionais. De negação do inegável. De súbita consciência. De aceitação de mil opostos, ao mesmo tempo. Opostos que gritam e me ensurdecem.
Não sei em qual sentimento acreditar. Não sei qual desejo seguir. Não sei qual das receitas milagrosas devo seguir.
E ai você pode dizer que devo seguir meu coração. Ou minha razão.
Mas como decidir qual razão é a correta? Como entender qual dos opostos o coração realmente quer?
Eu não quero viver desse jeito. Mas no momento em que todas as perguntas tiverem respostas, nada mais fará sentido novamente. Entende?
Na verdade, já não faz sentido agora.
Mas é o que mais faz sentido para mim.

E então, sento-me aqui e escrevo.
Como uma garotinha assustada pelos monstros escondidos sob a cama no quarto escuro, sento-me e escrevo.

Talvez me falte coragem. Talvez me falte forças. Talvez me falte respostas. Talvez me falte um alguém. Ou talvez me sobre tudo isso. Todas essas coisas que podem ser extremamente opostas talvez estejam em extremo excesso gritando dentro de mim, me enlouquecendo.
E talvez por isso eu esteja nesse imenso estado de nada.
Talvez por isso eu esteja amarrada nesse lugar nenhum: por falta. Ou por excesso.

E então, sento-me aqui e escrevo.
Como uma garotinha que sonha um conto-de-fadas perfeito que será pisoteado pela cruel realidade que a aguarda, sento-me e escrevo.

Preciso sair desse lugar nenhum em que me prendi.
Só preciso descobrir como resgatar-me sozinha.

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