Dezessete anos. Um metro e cinquenta e quatro centímetros.
Cabelos tingidos de vermelho. Óculos branco no rosto. Olheiras por trás do
óculos branco. Dúvidas, desejos estúpidos e esperança nos olhos acima das
olheiras por trás do óculos branco. Quando foi que tudo mudou?
Quando foi que os desejos ficaram tão rapidamente intensos?
Quando?
Quando foi que eu me tornei o que hoje sou? Quando foi que deixei
de ser a garotinha que brigava com os garotinhos na escolinha, aos sete anos?
Quando foi que eu cresci?
Quando foi que o tempo passou?
Eu nem percebi ele passar... Nem percebi as horas voarem...
Nem percebi que tantos “tique-taques” já se foram... Nem percebi que a
garotinha já é mulher...
Cresci. Mudei. Me reinventei. E continuo a mesma...
A vida me virou do avesso. Mas de alguma forma, ainda
sinto-me a garotinha de sete anos que brigava com os garotinhos que a
importunavam na escolinha. Mas de alguma forma, me sinto mais distante do que
nunca daquela doce garotinha briguenta de sete anos... Mas de alguma forma (ou
de todas as formas), sinto imensas saudades daquela garotinha marrenta de sete
anos... Mas de alguma forma, sinto que aqueles foram apenas bons momentos que
me fizeram ser o que sou hoje.
O que sou hoje? Bom, ai eu já não sei... Diga-me, o que eu
sou hoje? Pra você, o que eu sou hoje?
Porque já tentei definir-me pra mim mesma tantas centenas de
vezes, de tantos modos, que já não sei mais o que é real e o que inventado. O
que é desejo e o que capricho. O que é certeza e o que é insegurança...
Mas sabe, continuarei definindo o que sou hoje. Continuarei
me rotulando. Me diminuindo. Me aumentando. Me amando. Me odiando. Continuarei
com a complexidade que dura infinitamente, até o momento em que eu termino
algum texto profundo, e a complexidade infinita acaba. Ou adormece. Até as
próximas dúvidas. Até os próximos desejos...
Ah, os desejos...


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