Respeita-me a impotência de fugir da demência a mim conflagrada nesta grande piada divina.
Influi-me opção nesta imensidão fantasmagórica da qual se disfarça a vida.
Joga-me insensibilidade para suportar a hostilidade que minha alma impõe-me sem misericórdia....
O mundo me é são, mas somente, quando eu não estou. Louco, quando de não doido, me disfarço. Do primeiro ao último ato.
De ré olho o passado como se lá pudesse eu encontrar respostas para meu futuro, como se o futuro fosse assim, fácil de encontrar....
Oh! Loucura astuta e rastejante.
Errante.
E mais uma vez a mentira prevalece.
Mais fácil de ser ‘entendida’, se tal palavra é a melhor alternativa de um possível adjetivo para isso.
Sinto a matéria adormecer.
Sinto meus dedos prenderem-se nas mãos.
Sinto minha alma congelar-se dentro de minhas veias quentes.
Sinto.
E me levanto de meu leito.
Torno a fazer parte do sonho comunitário.
Um mundo intolerante e aterrorizado, na maioria das vezes. Onde não só os desejos dos bons tomam forma, como os dos perversos ganham força...
Um mundo onde não somos nada além de uma insignificante voz sem personagem e peso, onde somos esquecidos por nós mesmos diante das pavorosas insanidades dos demais... E da reação de nossas próprias por estas condições.
Mas me acalmo,
pois estou louco como todos,
e voltarei a descansar a noite,
no mundo real.
Com paz e segurança,
sobriedade e lucidez.
Onde apenas o meu universo existe.
Trecho do livro Os Estranhos Poemas Perdidos do Senhor Rumpel, de Suzo Bianco





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