Quantos anos eu tenho?
Dez.
Às vezes cinco.
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Um dia, eu vi uma vela. Era uma linda vela acessa.
Então, eu me encantei pela sua chama...
O fogo que dançava suavemente sobre a vela me instigava a tê-lo.
Como criança que sou, coisas bonitas me chamam a atenção. E eu não sossego enquanto eu não tiver todas as coisas bonitas que eu quero.
Eu sabia que era impossível possuir o fogo, tê-lo em minhas mãos...
Mas, para uma criança otimista, 'impossível' é só uma palavra que os adultos usam para que as crianças não façam muita bagunça.
Então, eu decidi que iria admirar o fogo mais de perto.
O que eu não previ, era que a chama de uma vela poderia ser tão complexa.
Eu cheguei perto da chama daquela vela. Observei-a. Me deliciei ao ver de perto a chama dançando tão preguiçosamente...
Eu toquei a chama.
Foi estranho.
Por um segundo, foi até bom...
Mas...
eu me queimei.
Foi algo superficial.
A queimadura não dói tanto assim.
Mas incomoda.
E deixou uma pequenina cicatriz. Quase imperceptível, mas ainda assim, existente.
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O que eu queria saber, é por que.
Por que que mesmo depois de ter me queimado, eu continuo encantada pela chama daquela vela?
Deve ser porque sou uma garotinha boba.
Ou sonhadora demais...
(Tão bom conseguir colocar em palavras o que te atormenta a dias...)



